segunda-feira, 12 de março de 2012

Afinal quem és tu, como te chamas, um jovem triste, um velho de pijama
Um princepe polémico, ardoroso
Que nome tens na boca quando beijas
Em que fronteira estás quando desejas?
Procuro inventar-te sem saber
Aonde ir buscar estes teus dados
És como um astro sempre a prometer
Cuidados...
Vagueias no infinito espacial
Vestindo a dura casca do animal
que existe em ti, de certo
Na guerra que semeias nos sentidos
Não existem heróis, há só vencidos
No sonho que pertende ser moderno
e tão real com um noticiário
Morres todos os dias
Mas, eleito
Ressuscitas, sorrindo, sobre o leito
Em que deixaste o teu lugar marcado
Vitima ou não, tu continuas preso
A uma especie de lenda improvisada
E eu, serena, só, imaculada
Sou como um bicho em tempo de defeso...

                                                                                                                                 11/03/20012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Em verdade, em verdade vos digo
Que a rota se abriu
O medo ao perigo
Finalmente ruiu
Especial o treino
Do coração impera
Abriu a feira da primavera
E cheira a algodão doce
E como é bela a noite habitada
Em que se escuta
A clara guisalhada
Dos gestos sensuais
Queremos mais,
Queremos sempre mais`
É a fome ancestral
Da maçã proibida
Cansados de cansar
Nos entranhamos
Em ondas de ternura comovida
E de amavio
E abraçados ou não
Despedimos o frio...

Á noite fala baixinho
Como fazes a rezar
Nas ondas do teu carinho
Eu quero me afogar...
 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

          A G O R A
                         V
                         E


Não querer nada
Calma e grave
Asa fechada
De ave
Repouso azul de espuma
Sem abraço
O pensamento uma
Provincia do espaço...
Abrir um ninho sobre cada olhar
E incubada de eu
Uma a uma as penas alisar
Como quem beija um filho que morreu...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Os anos passam e fica
Nas veias a sementeira
De uma colheita tão rica
Como se fosse a primeira
Será que o estado de graça
Em que julgamos pairar
Nos perturba e nos disfarça
As nevoas do acordar?
Seremos nós tão sinceros
Que na margem do perdão
Para sermos verdadeiros
Temos de dizer que não?


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um dia tu saberás
O que é um amor perfeito
É ter-te, onde não estás
Aqui, bem dentro do peito


De corpo e alma

Acalme-se o povo
Que agitado grita
A festa é
Da portuguesa estreia
De quem não colhe mas semeia
O perfeito sentido do dever…
Prendas de sol
Depois da tempestade
Abrem o rol
Da felicidade.
Está no país
A força da raiz
Que enlaça a terra
Em união antiga!
E que não haja alguém mais que me diga
Que é o fim
Muda-se a vida 
Com um único sim…