Agora que a palavra
É o vetor dileto
Dos voos outonais
Em seu explendor
Há um cometa raro que está perto
Das queixas e da dor...
Não há palavra chave
Não há ferrolhos
Seca o vento
O suplicar dos olhos
Numa expressão lasciva
Tentadora
- Toda a promessa é mais que sedutora
É um chão
No Sião
Feito em rubis!
E tudo...
Tudo
O silencio ocupa e usa
Numa cabeça forte de Medusa
Que aponta em pedra
A expressão feliz...
quarta-feira, 11 de julho de 2012
FRAGIL
Radiante manhã
De um dia de calor
Do céu, o azul caindo
Como uma chuva de cor.
Pequeno, abandonado
Um pássaro arquejava
No relvado...
Desço aflita ao jardim
(chamaria por mim?)
Deitei-o em minha mão
Com jeito maternal
Uma bolinha de penas
Duas patinhas pequenas
Um coração a bater
Naquele ninho ocasional...
Até que enfim sossegou
Com um ligeiro tremor...
Abri um rasgo no chão
Com ternura e comoção
Cobri-o com uma flor...
Com a alma agora presa
A uma antiga certeza
Regressei então a casa...
É sempre uma tristeza
Enterrar uma asa!!!
De um dia de calor
Do céu, o azul caindo
Como uma chuva de cor.
Pequeno, abandonado
Um pássaro arquejava
No relvado...
Desço aflita ao jardim
(chamaria por mim?)
Deitei-o em minha mão
Com jeito maternal
Uma bolinha de penas
Duas patinhas pequenas
Um coração a bater
Naquele ninho ocasional...
Até que enfim sossegou
Com um ligeiro tremor...
Abri um rasgo no chão
Com ternura e comoção
Cobri-o com uma flor...
Com a alma agora presa
A uma antiga certeza
Regressei então a casa...
É sempre uma tristeza
Enterrar uma asa!!!
sábado, 30 de junho de 2012
Cabelos Brancos
Coroa
Luz
Vestigios de paixão
Luar que fugiu do chão
Restos de leite
Desenho de emoção
O tempo coalhado
Noites vagas
Presença do passado
Arquétipo guardado
Asa sem vento
Tradução do tempo
Perdão sem o perdão
Ternura em pedaços
Pégadas dos abraços
Grito... Gritos
Dos beijos já proscritos
Mil enganos, traições
Esgarçadas lições
Vela sem pavio...
E o que não se crê
E é coração...
Perguntas... porquê? porquê?
E sempre porque não...
Reposta toda aberta
De raiva encoberta
Ossos brancos da alma
Dom, sangue, condição
História feita pão
Da vida...
Puro granizo alheio
Véu de amor
E a palavra do meio
Que nunca ninguém escuta...
Poema...
Pena...
Luta...
Luz
Vestigios de paixão
Luar que fugiu do chão
Restos de leite
Desenho de emoção
O tempo coalhado
Noites vagas
Presença do passado
Arquétipo guardado
Asa sem vento
Tradução do tempo
Perdão sem o perdão
Ternura em pedaços
Pégadas dos abraços
Grito... Gritos
Dos beijos já proscritos
Mil enganos, traições
Esgarçadas lições
Vela sem pavio...
E o que não se crê
E é coração...
Perguntas... porquê? porquê?
E sempre porque não...
Reposta toda aberta
De raiva encoberta
Ossos brancos da alma
Dom, sangue, condição
História feita pão
Da vida...
Puro granizo alheio
Véu de amor
E a palavra do meio
Que nunca ninguém escuta...
Poema...
Pena...
Luta...
Efemeride
Efeméride
Descobrir lentamente
A acidez do fruto,
Abrir enfim no labio devoluto
Residual aspeto á saciedade,
Procurar na raiz
A seiva da saudade
Descobrir o que diz
O rumor que a invade....
Ver na ínvia colheita
O gesto absoluto
Dessa paz que nasceu
Na lágrima e no luto...
Cultivar o segredo
Do momento imperdivel
Sem nunca ter noção
Do certo ou do possivel,
Esquecer a lonjura
Arcar com o silencio
A escuridão e o medo
E com fé e ternura
Guardar aquele segredo
Que enreda... enreda
Como uma amarga teia....
Despertar de manhã
Da mesma melopeia
Que embala a inocente
Ideia do presente,
Aulico e suspenso da biblica recusa
Atraiçoada
O fruto sempre ali....
A escrever o verso que não usa
Descobrir lentamente
A acidez do fruto,
Abrir enfim no labio devoluto
Residual aspeto á saciedade,
Procurar na raiz
A seiva da saudade
Descobrir o que diz
O rumor que a invade....
Ver na ínvia colheita
O gesto absoluto
Dessa paz que nasceu
Na lágrima e no luto...
Cultivar o segredo
Do momento imperdivel
Sem nunca ter noção
Do certo ou do possivel,
Esquecer a lonjura
Arcar com o silencio
A escuridão e o medo
E com fé e ternura
Guardar aquele segredo
Que enreda... enreda
Como uma amarga teia....
Despertar de manhã
Da mesma melopeia
Que embala a inocente
Ideia do presente,
Aulico e suspenso da biblica recusa
Atraiçoada
O fruto sempre ali....
A escrever o verso que não usa
A pagina rasgada
De ti.....M.A.R
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Lágrimas
Eram lágrimas azuis
As que caiam no rosto
Quando chorava na praia
Com saudades do sol posto
Foram lágrimas cinzentas
Quando ele se foi embora
Tão grossas, tão violentas,
Que ainda pesam agora
Eram águas cristalinas
Quando perdi o meu pai
Água pura da menina
Que eu não fui nunca mais
Foram lágrimas rosadas
As que a minha mãe levou
Entre as suas mãos cruzadas
Que um rosário abençoou...
Foram lágrimas de leite
Quando tu, filha, nascias
Todo o que eu tive, eu dei-te
Tu mamavas... e sorrias...
Foram lágrimas douradas
As que aos netos entreguei
Hoje são lágrimas caladas
Porque nunca mais chorei...
Hoje, são lágrimas do rio
Que na minha terra corre
Que me agasalham do frio
Deste amor que nunca morre!
As que caiam no rosto
Quando chorava na praia
Com saudades do sol posto
Foram lágrimas cinzentas
Quando ele se foi embora
Tão grossas, tão violentas,
Que ainda pesam agora
Eram águas cristalinas
Quando perdi o meu pai
Água pura da menina
Que eu não fui nunca mais
Foram lágrimas rosadas
As que a minha mãe levou
Entre as suas mãos cruzadas
Que um rosário abençoou...
Foram lágrimas de leite
Quando tu, filha, nascias
Todo o que eu tive, eu dei-te
Tu mamavas... e sorrias...
Foram lágrimas douradas
As que aos netos entreguei
Hoje são lágrimas caladas
Porque nunca mais chorei...
Hoje, são lágrimas do rio
Que na minha terra corre
Que me agasalham do frio
Deste amor que nunca morre!
sexta-feira, 18 de maio de 2012
As Bodas
Lautas bodas
Sem favor!
Trinta dias de papança!
As damas ficam mais gordas
Aos homens lhe crescem a pança,
O povinho, em seu labor
Apreciando a folgança
Dá-se conta da abastança
E mais louva o seu Senhor!
A Princesa, mui louçã
Desde a primeira manhã
Em que nos véus se envolveu
Já começa a dar de si
Com tais desmandos por i
Já lhe cuida do que é seu...
E além do mais... está cansada
Pois para recém casada
Quere-se repouso e cuidado
P´ra o que foi bem guardado
Não venha por descuidado
A ser dado por não dado
- : Senhor Pai, findai a festa
Que a razão já não se presta
A tão luzidos festejos,
Já tenho um mês de esposada
Começo a estar enfadada
Da demasia dos beijos
A saber a marmelada
Senhor Pai
Assocegai...
Por Deus, que já é suplicio
Ver por tal o desperdicio
Que por esses paços vai...
Assocegai
Senhor Pai!!!
Ouvidos de mercador
Faz o Rei que é gozador
E amigo de companhia
- : Folgaremos à porfia
Que a tão asada alegria
É mister dar seu valor...
Então, a pobre Princesa
Em justa revolta acesa
Dando voz à natureza
Dos seus motivos concretos
De ar irado e vista torva
Ao Rei lhe pregou com esta:
- : Pois fica por conversado
Continuai vós a festa
E outra vos dê os netos
P´ra vosso real agrado!
E fechou-se em sua alcova
Por um ano bem contado...
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Livre
Nunca foi tão longe
A ave canora
Do meu pensamento
Viaja agora
Ao colo do vento,
Visita rochedos
Paira sobre a areia
Percorre redonda
Toda a lua cheia...
Se dantes servia
Ao quarto minguante
Num périplo triste
Apaziguado,
Hoje guarda silencio
Mas tão povoado
Que é como uma bolha
De sol coalhado...
Pelo ar palpita
O seu adejar
Só se percipita
Pr´a beijar o mar
Não conhece o medo
Da bala perdida
Pisa o segredo
Da vida...
Colorida e breve
Seta de plumagem
Sonha, cria, escreve
Tudo à sua imagem,
E fita sem medo
Os olhos da margem
Assim se concentra
No ato de ser
E voando entra
No cais de morrer...
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