sexta-feira, 12 de julho de 2013

OS POLITICOS

DAS PALAVRAS VAZIAS FAZEM CUNHAS
CRAVADAS NA MURALHA DO PAÍS
CERTEZAS NENHUMAS
MAS CADA UM SE ENCANTA NO QUE DIZ...
EMPOLGAM-SE....ATENTOS AOS CENÁRIOS
QUE ELES MESMO, CONSTRÓIEM
E , TODOS MILIONÁRIOS,
NÃO HÁ NADA QUE APOIEM...
DIVERGEM E DESTRÓIEM
E AINDA COBRAM O QUE VÃO DIZER...
ALGUNS, JÁ CENTENÁRIOS
ESTENDEM-SE A VALER.....
A LIBERDADE TROUXE-LHES O BEM ESTAR
O BEM VIVER
E AINDA O BEM ESQUECER....
O POVO...NÓS
ESCUTAMOS TANTA VOZ
ALHEIA E OCA
QUE COM UMA INDIFERENÇA JÁ BACOCA
VEMOS PASSAR O TEMPO.
E PORTUGAL, ESTA PÁTRIA EXAURIDA
A POUCO E POUCO, "CAINDO NA REAL",
DEIXANDO-SE ENGANAR EM PURA PERDA....
ATÉ QUE UM DIA ,MANDA TUDO Á MERDA
E VAI PEDIR A ESPANHA EM CASAMENTO!!!!!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Heróis do Mar

E é nesta primavera, dolorosa e fria
Que todos nós esperamos,
Que a terra, encharcada e vazia
Tem saudade dos ramos...
 
Nas árvores, com seus braços
Nus e esquálidos
Começam a apontar
Uns vestígios de cor
Sem sol para copular
E dos frutos sem sabor
Mirrados, muito pálidos
Poucos hão-de vingar...

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Portugal anoitece
de vagar...
Não perdoa nem esquece
Tenta continuar!!!

É um país cuja cabeça branca
Ainda se levanta
Com a nobreza
E a força do passado,
Lutando contra a incerteza
Com seu histórico herdado...

Abril de àguas mil
Está aí!
Outro Abril o fez cantar e ser
Cingindo cravos vermelhos
(a saudade nos faz a todos velhos).

Hoje, nada mais existe
Do que um povo sofrido, despojado e triste.
E quando a primavera nacional enfim surgir
Encontra Portugal em frente ao mar
Sem novas caravelas a partir...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sem Abrigo

Ficou ali
Debaixo de uma escada
Tirou dos sacos uma manta usada
Que estendeu no chão
Fez um ninho de cão
Com palha e farrapada
Cobriu-se com jornais
(Que até falavam dele
E outros tais
Pois cada vez há mais!)
Fez um docel
Com uma velha pele
Rafada
Encomendou-se ao Nada
E dormiu

A cidade, passando açodada
Não via nada
E a familia
Fingia que não o conhecia...

Ali ficou até anoitecer
Viriam as senhoras a oferecer
Sopinha quente e uma maçã
Só para confortar

E ele irá guardar
Em cada mão
Um pão
Para comer de manhã
Se acordar...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Paixão e Morte

Foi do teu lábio a último palavra
Abre o silêncio a copa poderosa
É o funeral da rosa...
Calaste assim o explendor da graça
Nas infinitas noites de soluços
A coragem despiu sua couraça
E desmaiou... de bruços...
Cobriram-se as colinas de um tom baço
Grama cortada rente, apodreceu
Mil estrelas anâs, em debandada
Perderam-se no céu...
Quem crê, altera
Vai ficando à espera
Tenta ocultar as rugas da quimera
Num frenesim sem conclusão
Ou rumo
Ganha a esperança o pratear do fumo
Como se a alma
Em cinza se tornasse
O vento, látego primário
Repete-se igual como um rosário
Nessas horas pastosas
Já previstas
Palavras ditas
Erguem-se do chão
Como espinhos urdidos de vagar...

Foi do teu lábio a última palavra
Há que apagar
O fogo que ainda lavra
Na acidez secreta do ciúme
Perdeu-se a lava
Ficou só perfume...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

... Lenga... Lenga...

Morre , ficando no prazer banido
Como um Sol menor, um sustenido
Uma tensão perdida
De não ser o que era
O lado mais cruel da Primavera...
Rompe do silêncio
A ìnvia mascarilha
E queima o portal do incenso
A lume brando.
Ninguém esperou por ti
Nem mesmo quando
Disseste um dia:
- Aguarda o meu regresso! -

Gastas os teus desenhos
Circulares
Enfeitando de esferas
Armilares
A rota de ficar
E quando os lírios
Romperem do rizoma
Se acaso te lembrares
Come a maçã
Antes que outro a coma...
Não te conheço
Apenas sei que existes
Nesta esfera interior
Crio cenários
Diferentes e tristes
Mas sempre iluminados
Pelo amor...

Agora parto
Vou, para outro lado
Lá onde estão
As cinzas do passado
E abraço-me à história
Porque não há pecado mais pecado
Do que a fome e a sede da memória!!!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Maresia

Cansada e insone,
Recebo esta manhã
Gelada como a fome
Mental que me atrofia.
Regresso então ao mar
Aonde cada dia
È uma benção de sal
De sol e maresia...
E o mar beija-me toda e me confia
O segredo fiel da onda e da bruma...
E é então que encontro funda, muito funda
Uma concha de espuma
Sem perola nenhuma....

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Ponto de fuga

Virá o dia em que me hás-de perder
Dirás um palavrão
Porra... Só me faltava esta!
Será o teu modo de sofrer
Um fim de festa...

Mas, às seis horas da tarde
Sentirás uma porta que bate
Nessa tua maneira de sorrir...
Levo eu a chave
Dessa porta aberta
Na tua vida e nos teus cuidados
Entre os meus dedos frios e cerrados
Como quem guarda aquilo que lhe cabe...
E tenho pena
De partir assim
A vida foi pequena
Para mim...

A noite há-de parecer-te mais escura
Nenhuma estrela cairá madura
No teu abraço quente
E eu, em ti
Hei-de ficar segura
Finalmente...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Poder

Porque tenho poder
Eu te proibo
A nostalgia das tardes de setembro
Porque tenho poder
Eu te proibo
A languidez das folhas do negrilho
As petalas caidas sobre a relva
Da roseira que teve mais um filho...
Porque tenho poder
Eu te proibo
A limpidez do ceu
Que como eu
Te espera calmo e puro
E porque tenho poder
Eu te esconjuro
A seres fiel aos lidimos sinais
Que não perderão mais os teus sentidos...
E porque tenho poder
Eu te proibo
A tua masculina saciedade
De te saberes amado de verdade!
Porque tenho poder
Eu te proibo
De ignorares que há acasos tais
Tão lidimos...fatais
E exclusivos
Que são
A unica razão
De estarmos vivos....

Maria Augusta Ribeiro

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Maria

Subia a rua,
Descorada e laça
Chamava-se Maria
Não tendo solução para a desgraça
Vivia...
Carregava consigo alguns volumes
E um pobre cachorrinho
Ganindo os seus queixumes
E um pequeno rádio que tocava...
A saia, um trapo velho a fazer ciúmes
Ao lixo da calçada
Uma blusa de cetim vermelho
Que já brilhara num baile de embaixada
Flores secas nos cabelos
E uns olhos que pediam para ser belos
Mirando sempre além...
Andava devagar,
Sem atropelos
Tal como quem
Indo é que vem...
Alheias, as pessoas
Nos seus trilhos
Pensando no trabalho, na casa e nos filhos
Corriam como lebres no coutado...
E nem o som do fado
As atraia...
Onde iria
Maria?
A nenhum lado!
Imagem de um destino
Perdedor
Levava dentro dela o passado
Quem sabe lá se de um imenso amor?
Um pequeno sorriso lhe franzia
A tristissima boca...
O mundo a percebia
Como Maria
A louca...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Culpa

Estar mais perto que estar
Conluio lateral
Página seca da seiva do portal
Do expontaneo, natural, sublime...
Culpa que o tempo já não mais redime
Ardencia no olhar
Que tudo vê...
Antes, os laços
No berço ocupado
Pelo docel dos braços
Protetores
E quando o cerro
Gelado e sem flores
Sussurra de agonia
Curvam-se os dedos
Sobre o som do nada
Faz-se silêncio sobre cada estrada
Que leva à alegria...

Assim se cria e faz
O noivado da paz...

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Tu és mar

Vem me navegar
Veleiro do sul
Vem aproveitar
Um ocaso azul
A onda do seio
Se abrirá ao meio
Para te embalar
Orienta a quilha
Para a doce ilha
Que irá te acolher
Sou mar e sou espuma
Sou mais do que uma
Sereia-mulher
Sou concha soando
No teu universo
Sou onda voando
Na margem de um verso
Sou alga molhada
Sobre a tua pele
Rota perfumada
Cruzeiro de mel...
Horizonte certo
Tão perto... Tão perto...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Medusa

Agora que a palavra
É o vetor dileto
Dos voos outonais
Em seu explendor
Há um cometa raro que está perto
Das queixas e da dor...
Não há palavra chave
Não há ferrolhos
Seca o vento
O suplicar dos olhos
Numa expressão lasciva
Tentadora
- Toda a promessa é mais que sedutora
É um chão
No Sião
Feito em rubis!
E tudo...
Tudo
O silencio ocupa e usa
Numa cabeça forte de Medusa
Que aponta em pedra
A expressão feliz...

FRAGIL

Radiante manhã
De um dia de calor
Do céu, o azul caindo
Como uma chuva de cor.
Pequeno, abandonado
Um pássaro arquejava
No relvado...
Desço aflita ao jardim
(chamaria por mim?)
Deitei-o em minha mão
Com jeito maternal
Uma bolinha de penas
Duas patinhas pequenas
Um coração a bater
Naquele ninho ocasional...
Até que enfim sossegou
Com um ligeiro tremor...
Abri um rasgo no chão
Com ternura e comoção
Cobri-o com uma flor...
Com a alma agora presa
A uma antiga certeza
Regressei então a casa...
É sempre uma tristeza
Enterrar uma asa!!!

sábado, 30 de junho de 2012

Cabelos Brancos

Coroa
Luz
Vestigios de paixão
Luar que fugiu do chão
Restos de leite
Desenho de emoção
O tempo coalhado
Noites vagas
Presença do passado
Arquétipo guardado
Asa sem vento
Tradução do tempo
Perdão sem o perdão
Ternura em pedaços
Pégadas dos abraços
Grito... Gritos
Dos beijos já proscritos
Mil enganos, traições
Esgarçadas lições
Vela sem pavio...
E o que não se crê
E é coração...
Perguntas... porquê? porquê?
E sempre porque não...
Reposta toda aberta
De raiva encoberta
Ossos brancos da alma
Dom, sangue, condição
História feita pão
Da vida...
Puro granizo alheio
Véu de amor
E a palavra do meio
Que nunca ninguém escuta...
Poema...
Pena...
Luta...

Efemeride

Efeméride
Descobrir lentamente
A acidez do fruto,
Abrir enfim no labio devoluto
Residual aspeto á saciedade,
Procurar na raiz
A seiva da saudade
Descobrir o que diz
O rumor que a invade....
Ver na ínvia colheita
O gesto absoluto
Dessa paz que nasceu
Na lágrima e no luto...
Cultivar o segredo
Do momento imperdivel
Sem nunca ter noção

Do certo ou do possivel,
Esquecer a lonjura
Arcar com o silencio
A escuridão e o medo
E com fé e ternura
Guardar aquele segredo
Que enreda... enreda
Como uma amarga teia....
Despertar de manhã
Da mesma melopeia
Que embala a inocente
Ideia do presente,

Aulico e suspenso da biblica recusa
Atraiçoada
O fruto sempre ali....

A escrever o verso que não usa

A pagina rasgada
De ti.....M.A.R

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Lágrimas

Eram lágrimas azuis
As que caiam no rosto
Quando chorava na praia
Com saudades do sol posto

Foram lágrimas cinzentas
Quando ele se foi embora
Tão grossas, tão violentas,
Que ainda pesam agora

Eram águas cristalinas
Quando perdi o meu pai
Água pura da menina
Que eu não fui nunca mais

Foram lágrimas rosadas
As que a minha mãe levou
Entre as suas mãos cruzadas
Que um rosário abençoou...

Foram lágrimas de leite
Quando tu, filha, nascias
Todo o que eu tive, eu dei-te
Tu mamavas... e sorrias...

Foram lágrimas douradas
As que aos netos entreguei
Hoje são lágrimas caladas
Porque nunca mais chorei...

Hoje, são lágrimas do rio
Que na minha terra corre
Que me agasalham do frio
Deste amor que nunca morre!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

As Bodas

Lautas bodas
Sem favor!
Trinta dias de papança!
As damas ficam mais gordas
Aos homens lhe crescem a pança,
O povinho, em seu labor
Apreciando a folgança
Dá-se conta da abastança
E mais louva o seu Senhor!

A Princesa, mui louçã
Desde a primeira manhã
Em que nos véus se envolveu
Já começa a dar de si
Com tais desmandos por i
Já lhe cuida do que é seu...
E além do mais... está cansada
Pois para recém casada
Quere-se repouso e cuidado
P´ra o que foi bem guardado
Não venha por descuidado
A ser dado por não dado

- : Senhor Pai, findai a festa
Que a razão já não se presta
A tão luzidos festejos,
Já tenho um mês de esposada
Começo a estar enfadada
Da demasia dos beijos
A saber a marmelada

Senhor Pai
Assocegai...
Por Deus, que já é suplicio
Ver por tal o desperdicio
Que por esses paços vai...
Assocegai
Senhor Pai!!!

Ouvidos de mercador
Faz o Rei que é gozador
E amigo de companhia
- : Folgaremos à porfia
Que a tão asada alegria
É mister dar seu valor...

Então, a pobre Princesa
Em justa revolta acesa
Dando voz à natureza
Dos seus motivos concretos
De ar irado e vista torva
Ao Rei lhe pregou com esta:
- : Pois fica por conversado
Continuai vós a festa
E outra vos dê os netos
P´ra vosso real agrado!

E fechou-se em sua alcova
Por um ano bem contado...




segunda-feira, 7 de maio de 2012

Livre

Nunca foi tão longe
A ave canora
Do meu pensamento
Viaja agora
Ao colo do vento,
Visita rochedos
Paira sobre a areia
Percorre redonda
Toda a lua cheia...
Se dantes servia
Ao quarto minguante
Num périplo triste
Apaziguado,
Hoje guarda silencio
Mas tão povoado
Que é como uma bolha
De sol coalhado...
Pelo ar palpita
O seu adejar
Só se percipita
Pr´a beijar o mar
Não conhece o medo
Da bala perdida
Pisa o segredo
Da vida...
Colorida e breve
Seta de plumagem
Sonha, cria, escreve
Tudo à sua imagem,
E fita sem medo
Os olhos da margem
Assim se concentra
No ato de ser
E voando entra
No cais de morrer...




sexta-feira, 27 de abril de 2012

Menininha!

Dá-me a tua mão, criança
E sente como eu te imploro
Um pouco dessa inocencia
Com que exageras o choro
Com que pedes... o que for
Eu quero chorar assim
De novo, convitamente
E como tu, de repente
Sorrir à primeira flor...
Quero chapinhar contigo
No translucido laguinho
Que as chuvas improvisaram
Sem ir pensar que adoeço
Ou no exagerado preço
Dos sapatos que estragaram
Leva-me ao raio de sol
Que pos seus ovos dourados
Nos teus olhos transparentes
E mostra-me o rouxinol
Que te ensinou os trinados
Dos teus gorgeios contentes
(o teu balão colorido
É como a vida da gente
Enche, enche, convencido
E estoura... subitamente)
Ensina-me menininha
A ser alegre e a brincar
A fazer uma casinha
Com pedrinhas cor do mar
Vamos fazer uma horta
Com raminhos de jasmim?
E ensinas-me onde é a porta
Do palacio de Aladin?
Levas-me à tua Avó
Que a olhar-te se distrai?
E quando fizeres óó
Emprestas-me o teu Pai?
Ó menininha inquieta
Que alegras a tarde mansa
Como uma borboleta
Que se transforma em criança
Salva já essa pureza
Guarda bem tua alegria
Parte... Morre de surpresa
Hoje ao findar do dia...

segunda-feira, 23 de abril de 2012


De corpo e alma

Acalme-se o povo

Que agitado grita

A festa é

Da portuguesa estreia

De quem não colhe mas semeia

O perfeito sentido do dever…

Prendas de sol

Depois da tempestade

Abrem o rol

Da felicidade.

Está no país

A força da raiz

Que enlaça a terra

Em união antiga!

E que não haja alguém mais que me diga

Que é o fim

Muda-se a vida 

Com um único sim…